Bench Hook

Cinco espécies e um par de Bench Hooks

12 comentários

4 de Janeiro de 2016

Bench Hook é um acessório para bancadas que auxilia na fixação de peças. É um dispositivo extremamente simples e eficaz. Composto por uma base e dois batentes nos extremos, um na parte de baixo e outro na parte de cima. O batente inferior funciona como um gancho na lateral da bancada. Já o batente superior serve como apoio para a peça a ser fixada. A força exercida sobre a peça em direção ao batente superior trava o conjunto. Dois usos muito comuns para o bench hook: cortes transversais e shooting board.

Apesar da simplicidade eu sempre procastinava a construção do acessório. Antes era o tempo, depois passou a ser a falta de vontade de trabalhar com o compensado, que seria um material rápido para a confecção. O tempo foi passando e continuava realizando cortes transversais usando barrilhetes ou grampos para prender as peças. O que mais me incomodava nem era o tempo para se prender, que por sinal era maior, mas a ineficácia. O momento muitas vezes superava a força exercida pelo grampo, por muitas vezes era necessário usar dois grampos. Outra questão era a ausência de esquadro com relação a bancada. A acuracidade do corte com o serrote se baseia naturalmente na ação da gravidade e no eixo estabelecido pelo conjunto do braço. O Bench Hook deixa a peça em esquadro com a lateral da bancada, facilitando o trabalho de serrar no esquadro.

A rapidez em se prender a peça e a estabilidade proporcionada são imbatíveis para cortes precisos na transversal.

Além de estar cansado de cortes transversais sem o apoio devido, eu pedia por um ar renovado após dias seguidos de desempeno em peças grandes para a minha mesa mesa de jantar: nada melhor do que um projeto pequeno. Por que não tornar o trabalho divertido? Pensei logo em fazer um acessório um tanto perfumado, hehe. Eu tinha um pedaço de Cedro largado, todo empenado, e com espigas nas testas. Pensei em usar como base. De certo que a espécie não é a mais indicada devido a maciez, porém boa parte dos cortes que seriam beneficiados pelo acessório seriam cortes de precisão, o que naturalmente ocorre com peças já aparelhadas e por tanto limpas. Já que a peça tinha as espigas, optei em fazer embutimentos e usar o rebaixo para a instalação dos batentes.

Primeiro passo foi abrir a peça de Cedro para formar um par de bases. Optei por um modelo em par pela versatilidade. Uma vantagem é a possibilidade de se fixar peças de tamanhos variados, basta alterar o espaçamento entre as bases.

Na parte de baixo da superfície superior eu fiz um embutimento com Jatobá (se não estou enganado). Os batentes inferiores são de Freijó e os superiores de Jequitibá. Os embutimentos da face de baixo são de Peroba Mica. Todas as peças foram obtidas da minha pilha de retalhos. Abaixo duas fotografias do aparelhamento dos embutimentos.

Antes e durante a colagem:

Faces superior e inferior:

Batente superior:

Embutimentos:

Comentários

  • paulobro

    4 de Janeiro de 2016, 04h53m

    Tecnica construtiva dentro do padrao: impecavel. E transformar 'sucata' de madeira em algo util, ainda por cima agradavel aos olhos, algo sempre merecedor de comendas.

    Quanto `a utilidade do acessorio, seculos dao atestado.

    cosme

    4 de Janeiro de 2016, 07h14m

    O espaço destinado aos retalhos já está abarrotado, vira e mexe alguns trasbordam e vão ao chão, hehe.
    É bom saber que os retalhos podem mais do que simplesmente servirem de "almofada" para os barrilhetes ou então a fabricação de cavilhas.

  • Milton Wilson Martins

    4 de Janeiro de 2016, 07h25m

    Mais uma aula do incansável Ricardo, e que aula!
    Parabenizá-lo é sempre pouco

    cosme

    4 de Janeiro de 2016, 08h32m

    Não é aula não Milton, é somente um Bench Hook ;)
    Obrigado e um abraço!

  • Guido

    4 de Janeiro de 2016, 07h42m

    Taí um acessório que me é muito útil, utilizo-o quase que diariamente, lógico que não tenho esse capricho igual a vc e faço os meus com qualquer toquinho de madeira, mas é um acessório indispensável em qualquer oficina mesmo. Quanto a qualidade de seus trabalhos e fotografia, simplesmente fantásticos.

    cosme

    4 de Janeiro de 2016, 08h33m

    Pois é Guido, um treco simples que funciona muito bem.
    Certamente a perfumaria aqui é algo desnecessário, fica a gosto do freguês.
    Diria somente que ao usar como shooting board, no máximo se preocupar com o esquadro do batente superior: nada mais.

    Abração

  • tbaroni

    4 de Janeiro de 2016, 10h12m

    Trabalho muito bonito e, para "chover no molhado", impecável como todos os demais.

    Uma dúvida sobre a resistência dos batentes: você usou alguma cavilha ou outro tipo de "trava" para evitar que a pressão exercida sobre os batentes não venha a descolar as peças no futuro?

    cosme

    4 de Janeiro de 2016, 13h24m

    Optei por não reforçar porque é um Bench Hook destinado somente a cortes. O possível uso como shooting já me deixaria mais preocupado. Com relação aos cortes a força exercida não é a mesma no cortes transversais que realizo na bancada para serrar, ou seja, são cortes mais delicados de certa forma.

    De todo o modo, nada impede a instalação no futuro de parafusos ou cavilhas.

    Obrigado e um abraço

  • zzeff

    4 de Janeiro de 2016, 17h37m

    Estimado amigo,
    Vale a pena ver os seus trabalhos não somente pela sua arte mas tambem pela qualidade das fotos.
    Abrços
    zzeff

    cosme

    4 de Janeiro de 2016, 22h39m

    Obrigado!
    Um abraço

  • Renato

    11 de Janeiro de 2016, 06h22m

    Cosme,
    Bem práticos seus Bench Hooks.
    Quando puder fale-nos um pouco sobre suas ferramentas manuais (marcas, modelos, etc).
    O que você entende indispensável para executar um projeto unplugged do início ao fim?
    Abraço
    Renato


    cosme

    11 de Janeiro de 2016, 09h40m

    Ok Renato, vou refletir sobre a sua sugestão, obrigado.

    Antes de qualquer palavra sobre o indispensável: eu tenho um certo receio sobre essas tentativas de se listar ferramentas. O que pode ser importante para mim não necessariamente será para o outro. Eu mesmo já fiz escolhas erradas com base no entendimento de que se funciona para um terceiro, deveria funcionar comigo. Tenho algumas, poucas por sinal, ferramentas que estão no canto por não se enquadrarem no meu fluxo. Ferramentas do cotidiano de alguns marceneiros. Não tenho dúvidas de que posso me deparar com uma demanda que requisite tais ferramentas, mas penso que teria feito uma aquisição melhor se tivesse comprado algo mais necessário, digo em termos de prioridade de recursos. De todo o modo, devemos ter em conta que precisamos errar. É necessário por muitas vezes arriscar e testar, ou seja, não é viável ao meu ver acertar 100% das escolhas.

    Quando penso em execução e em ferramentas, a primeira coisa que vêm a mente é dimensionar as peças do projeto. Para isso eu preciso somente de um serrote com dentição de corte ao longo do veio. De preferência um serrote agressivo para obter uma maior eficiência. Logo após, o aparelhamento das peças, que pode ser realizado com uma plaina de bancada. Em diante as opções ficam bem mais flexíveis e dependentes do projeto a ser executado. É sempre bom lembrar que na marcenaria é muito comum obter um mesmo resultado com técnicas completamente diferentes.

    Talvez no futuro uma postagem sobre o assunto, hehe, quem sabe ajude alguém.

    Um abraço,
    Cosme

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