Martelinho de latão

Ferramenta para ajustar plainas de madeira

4 comentários

8 de Janeiro de 2016

Assim que a minha primeira plaina de madeira ficou funcional, obviamente eu não conseguia pensar em outra coisa se não testar logo a ferramenta. Afinal de contas, funciona ou não? Plainas de madeira são ajustadas através de marteladas leves no corpo, na cunha e na lâmina. Usei o que tinha: um martelo convencional de ferro. A ansiedade me custou a quebra da cavilha que trava a lâmina e a cunha. Sorte minha não ter colado a cavilha no corpo da plaina, de modo que a substituição foi bem simples e indolor, hehe. O ferro é um metal muito duro a ponto de machucar os componentes da plaina durante o ajuste, no mais o peso do martelo influencia na qualidade do ajuste. Um martelo pesado inviabiliza micro ajustes.

Depois da cavilha quebrada eu conclui que realmente precisava priorizar a construção de um martelinho para saudar o nascimento da plaina, que na ocasião estava à espera de uma cunha definitiva e da modelagem do corpo. Usei a idéia apresentada pelo David Finck: uma cabeça de latão inserida em um cabo de madeira.

Para a minha surpresa o martelinho também está sendo muito útil para as plainas de metal. Por diversas vezes eu tinha muita dificuldade em fazer um ajuste muito fino na lateral da lâmina, ou seja, no paralelismo do fio com relação a sola. Pouca pressão no dedo nada ocorre, um pouco mais de pressão e... tudo volta a estaca zero e a lâmina entorta para o lado oposto, hehe.

O primeiro passo é serrar um tarugo de latão para obter a cabeça do martelo. Depois a construção de um gabarito para a furação na cabeça que será responsável por receber a ponta do cabo do martelo. A idéia aqui é marcar no gabarito o centro de um furo para receber o tarugo, transferir o centro para a face que forma 90 graus, furar o gabarito para receber o tarugo, instalar o tarugo e fazer a furação no tarugo através do centro estabelecido na parte superior do gabarito:

Resultado após remover o tarugo do gabarito:

Eu tinha um pedaço de Jequitibá que estava me saltando aos olhos por causa das suas dimensões e do tempo de prateleira: a peça devia estar bem sequinha.

Após o aparelhamento o próximo passo foi providenciar uma espiga quadrada e arredondá-la com uma grosa. A furo no latão deixou uma rebarba que foi suficiente para dar um acabamento na espiga após o trabalho com a grosa. É possível perceber na terceira fotografia o excesso de madeira na base da espiga que está sendo cortado pela rebarba.

Resultado após a remoção do tarugo e pareamento inicial dos ombros da espiga com um formão:

A parte mais divertida é modelar o cabo. Aqui eu deixei o meu gosto e tato guiarem a corteché (spokeshave). Optei por uma inclinação levemente mais acentuada na parte inferior do martelo com o intuito de facilitar os golpes na lâmina, que por vezes são feitos por trás da plaina e com um espaço de acesso pequeno, afinal de contas a lâmina concorre o alvo com a cunha e com o corpo da plaina.

A cabeça é fixada ao cabo através de uma pequena cunha colada em um corte vertical na espiga. Antes da fixação, a cabeça foi polida levemente e teve as pontas arredondadas.

Martelinho pronto após uma aplicação de Tungue:

Após alguns testes iniciais, eu constatei que o latão iria marcar a traseira da plaina, que por sinal tem um corpo de madeira macia. A idéia para resolver o problema foi fazer um plugue removível de madeira. Não fiquei contente com o desenho do plugue mas ficou bem funcional. Uma boa surpresa: sim, serra copo funciona no arco de pua, hehe.

Dá vontade de construir vários martelos: é divertido.

Comentários

  • paulobro

    8 de Janeiro de 2016, 03h27m

    Prioritario e' a funcionalidade. Em tempo, o gosto, o uso e a ergonomia vao afinar o design.
    Uma variante estetica que me ocorreu vendo o jig de furacao foi uma cabeca de madeira, e o bronze como um inset.

    cosme

    8 de Janeiro de 2016, 07h11m

    Por ora somente não gostei do desenho do plugue mesmo. O martelinho está bem funcional e gostei da ergonomia do cabo. Na verdade percebo que pelas fotos não é nada fácil visualizar que há um trabalho (suave, sim) no final do cabo para a pega da mão.

    Esse martelinho está leve mas dá para sentir a diferença da cabeça de latão. Há um momento de força que ao segurar no final do cabo é só deixar o martelo agir pela gravidade para se ter um ajuste fino, isso é uma das coisas que eu almejava. Penso que o uso de uma cabeça de madeira, talvez envolva em uma peça maior para compensar o peso do latão. Sim, talvez até seja mais interessante para o usuário algo mais leve ainda.

    O fato da cabeça ter uma área de contato pequena acabou me ajudando também porque ao menos na minha plaina o acesso a cunha e a lâmina é um tanto apertado. Uma bolota grande no martelo seria um problema. Um tal de bater onde não deve, hehe.

  • davi

    14 de Janeiro de 2016, 11h45m

    parabens
    apesar de ter visto varios trabalhos seus,sempre me surpreendo com a beleza de um novo trabalho

    cosme

    14 de Janeiro de 2016, 11h47m

    Obrigado Davi, um abraço!

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