Kerfing Plane: protótipo

A serra segue o caminho de menor resistência

5 comentários

25 de Janeiro de 2016

Chegou a hora de parar tudo para dar prioridade a construção de uma Kerfing Plane e uma Frame Saw. O projeto mais prioritário por aqui demanda o desdobro de algumas peças. Como são peças com uma largura significativa, não me atrevi em tentar com o meu serrote de 26" e uma linha estabelecida por um lápis, na verdade tal solução não é nada recomendável nesse tipo de caso. A primeira ferramenta, que por sinal é objeto desta postagem, tem por finalidade principal o estabelecimento de uma linha traçada em esquadro e nas quatro arestas da peça a ser desdobrada com o objetivo de servir como guia para a serra que de fato vai fazer o desdobro, ou seja, abrir a madeira em duas partes. Na verdade a linha produzida é um kerf, ou seja, um corte de baixa profundidade, algo em torno de 1/2". É possível traçar tal linha sem uma ferramenta dedicada, eu o fiz na fabricação da minha primeira plaina de madeira, inclusive há ao menos uma fotografia sobre o aparato na postagem devida. A questão é que o procedimento é bem passível a erros e extremamente mais lento, tanto na configuração do aparato como no ato de serrar para estabelecer a linha. Com a Kerfing Plane em mãos, a idéia é construir a segunda ferramenta (Frame Saw) para de fato desdobrar a madeira.

Faço gosto em investir dias na construção de uma Kerfing Plane, mas no contexto atual eu preciso da funcionalidade para ontem. Sendo assim limitei o tempo de construção em 02 dias. O primeiro seria reservado a construir o protótipo, ou seja, a ferramenta funcional, e, o segundo dia destinado a modelagem do corpo (shape) e acabamento. Selecionei uma peça de Jequitibá, aparelhei, deixei descansar por alguns dias e segui na sequência com dois cortes para estabelecer a rabeta que acomoda a lâmina e serve como batente de apoio no uso da ferramenta.

O corte para acomodar a lâmina é crítico com relação ao esquadro e o paralelismo com o batente de apoio. Como eu não tenho um serrote adequado para a tarefa, optei em montar um aparato na bancada. A coisa funcionou muito bem até o meio do corte. Do meio em diante o corte começou a sair do esquadro, creio que é muita profundidade de corte para o esquema montado. Notei também que no final eu tinha muita dificuldade com o atrito. Na verdade eu terminei o corte com a ferramenta na morsa e a lâmina sem suporte na minha mão tentando serrar. Talvez improvisar um suporte para a lâmina e serrar na vertical possa ser mais eficiente. Fica para a próxima pois eu optei por um modelo de batente fixo com um espaçamento de 1/2", ou seja, espero ter a necessidade de construir outras ferramentas desse estilo e usar a mesma lâmina. Falando em lâmina, eu adquiri o kit da Bad Axe, do Mark Harrell. É completamente possível construir as duas ferramentas com lâminas feitas em casa ou reaproveitáveis, obviamente a um custo maior de tempo e investimento em conhecimento. No meu caso, como a minha marcenaria é exclusivamente desplugada, ou seja, não tenho uma serra de fita, o investimento no kit valeu à pena.

Próximo passo foi a furação para acomodar os parafusos que fixam a lâmina. Usei brocas forstners para controlar a profundidade com facilidade. Uma coisa interessante é que percebi que o pré-furo com uma broca de 3mm acabou atrapalhando bastante o término da furação. Basicamente o processo consiste no uso de duas brocas forstners e uma broca de 1/4" brad point que vaza o furo de uma face a outra. O problema ficou com a furação em 1/4" que não foi fluída, pelo contrário, perdia-se com facilidade o centro da furação. Algo bem estranho e que acreditei ser culpa do pré-furo. Na verdade, eu até me perguntei se não seria razoável eliminar a broca de 1/4" e fazer o furo passante com a forstner de 5/16" (se não me falha a memória é esse diâmetro). Sim, o problema não ocorria com as brocas forstners. Enfim, fica como um ponto de atenção para o leitor que tem em seus planos a construção desplugada de uma Kerfing Plane.

Com a lâmina devidamente instalada, a minha ansiedade e curiosidade foram suficientes para tentar usar a ferramenta sem modelagem alguma do corpo. Resultado? Sim, é bem difícil de usar... Na verdade diria que é até bem fácil de estragar a linha de corte. A todo o momento eu ficava tentando achar uma posição para segurar "o retângulo", posição essa que simplesmente não existe, hehe. O começo da modelagem foi fazer três furos passantes de 3/4 para agilizar e possibilitar o uso do arco de serra para criar o buraco em que os dedos entram, ou melhor dizendo, o cavidade do cabo. Usei o macete do pré-furo para agilizar a furação com broca forstner.

Fiz vários cortes no corpo para agilizar a modelagem. Após os cortes, um maço e um formão conseguem remover a madeira com poucas batidas. Um processo ágil para a marcenaria desplugada. Há uma ilustração dessa técnica na postagem sobre a minha Bancada para serrar.

Ferramenta tomando a sua forma:

Comentários

  • Renato

    25 de Janeiro de 2016, 19h35m

    Cosme,
    Melhoras na sua recuperação. Já peguei Dengue 2 vezes e 1 não confirmada..rsrs (sempre não hemorrágica) e sei bem como é difícil.
    Esse projeto é muito legal, principalmente pelo custo envolvido na aquisição de uma ferramenta dessa em uma loja.
    Acompanhando....
    Abraço
    Renato

    cosme

    25 de Janeiro de 2016, 20h03m

    Eu tive a hemorrágica, o que é mais comum quando se já contraiu a Dengue. Porém se é isso mesmo eu não me lembro da primeira vez, o médico acredita que foi assintomática ou então se confundiu com uma gripe e nem percebi.
    Nunca tive até então tanta pressa em construir um par de ferramentas, hehe.
    Mas rapidamente aprendi que teria que pisar no freio e andar mais devagar com a carruagem.
    Em breve a segunda parte, se tudo der certo!
    Um abraço

  • paulobro

    25 de Janeiro de 2016, 19h53m

    Ainda a meio, facil de achar as dificuldades, as vantagens ainda apenas promessas...

    Mas vai levando jeito e, mais que tudo, ha de se considerar uma obra inacabada e' o que ha de melhor para provocar a (re)ativacao dos bichos carpinteiros, hehe. Que venha logo a proximo capitulo!

    cosme

    25 de Janeiro de 2016, 20h07m

    Hehehe, 1/8" de lâmina! Wow, veremos.
    De elétricas pouco sei porque estagnei todo o meu interesse, ou melhor dizendo, estagnação a minha revelia até, coisa do destino(!?), porém escutei dizer que serra de fita de volante pequeno pouco faz no desdobro. Volante grande é consumo de mais espaço e mais dinheiro. Se verdade é não sei. Só sei que quando visitei um colega profissional no ano passado, de fato fiquei impressionando com o tamanho da serra dele.

    A minha Frame Saw é de ~30". Dizem que dá para abrir 12" de boas, veremos novamente, hehe.
    Espero que tudo isso não vire uma novela mexicana recheada de drama!

    Abraço

  • paulobro

    26 de Janeiro de 2016, 07h55m

    Por mais trambolhotica possa ser uma serra de fita (e sao! tao mais trambolhoticas quanto melhor seu desempenho), disponibiliza tantos recursos, e' tao util, oferece tantas vantagens que nunca vi marceneiro que trabalhasse em madeira macica que nao tivesse e muito usasse uma — mesmos os que advogam maximo uso de ferramentas manuais.

    Os que nao tem nem usam sao como nos — hobbistas experimentalistas, hehehe. Para quem presteza, prazo, facilidades, essas coisas... nao necessariamente entram em consideracao.

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