Kerfing Plane: final feliz

Modelagem do corpo e acabamento

4 comentários

30 de Janeiro de 2016

O segundo e última dia de construção foi dedicado a modelagem do corpo e um acabamento com uma aplicação de óleo de tungue, fora a aplicação com óleo diluído. Sem dúvida a modelagem é a parte mais trabalhosa. Foi um aprendizado, apesar de já ter realizado uma modelagem com vários perfis na construção do meu arco de serra. Senti muita falta de grosas com perfis distintos. Disponho por ora somente de uma Nicholson #49 e uma Shinto. Inclusive por conta disso eu até relaxei com relação ao meu nível de exigência. Mas vale ressaltar também que um trabalho mais primoroso pedia com folga mais um dia de empenho, o que iria contra a minha agenda, afinal de contas, para esta ferramenta a construção deveria ser bem ágil por questões de demanda. O corpo ficou confortável, no final das contas a pegada ficou bem no estilo de uma plaina com chanfro para baixo, ou seja, todos os dedos abraçam a cavidade do cabo porém o indicador fica apontando para a frente e apoiado em uma cavidade arredondada. (Ficou faltando uma fotografia demonstrando a minha pegada) A mão esquerda fica na frente com a palma pressionando o batente contra a peça a ser serrada enquanto os dedos indicadores e dedão abraçam o apoio superior frontal, ou knob em inglês (certamente há um nome específico no português que não sei ainda, hehe). É bem confortável o uso da ferramenta com esta modelagem. Como disse na postagem anterior, a modelagem é essencial. Ledo engano imaginar a possibilidade de usá-la em formato retangular, além de comprometer a eficácia, a eficiência vai por água abaixo e a mão certamente ficará machucada.

A profundidade da lâmina havia ficado em 7/16". Conversando com o Tom Fidgen, ele me disse que poderia funcionar com um pouco de prática. Na dúvida eu aumentei para 1/2", que creio ser o padrão. Havia alguma diferença no esquadro da lâmina a "nível capilar", ou seja, fiz o ajuste já contando que não deveria esperar qualquer diferença prática. Neste sentido, não tirei novas fotografias da ferramenta após os dois ajustes porque simplesmente não há nada novo que possa ser discernido a olho nu.

Logo em seguida eu comecei a construção do protótipo da Frame Saw. Colocar em teste o protótipo não foi só uma questão de ansiedade, o formato retangular do protótipo ajudaria no momento de realizar ajustes na ferramenta. A questão é que até o momento eu tenho problemas no corte com a Frame Saw. Fiz uma bateria de verificações na Kerfing Plane com o intuito de checar cada ponto crítico. Não consegui encontrar até agora nenhum problema com a plaina, pelo contrário. Ao que tudo indica o problema está na serra de desdobro mesmo, mas isso irei abordar em detalhes nas postagens referentes a Frame Saw.

Para ilustrar fotografei uma peça de cedro antes da marcação com a ferramenta, depois em ação e por último o resultado final, em que o corte foi realizado nas quatro faces, deixando a peça pronta para o desdobro.

Recentemente eu fiz um teste de desdobro de uma ripa de Jequitibá usando a Kerfing Plane em conjunto com um serrote de 26" para cortes ao longo do veio. A ideia era inclusive tentar confirmar que o problema não estava na ferramenta de marcação e sim na serra de desdobro. O resultado foi ótimo para os meus olhos. Vou tentar me lembrar de postar as fotografias na postagem referente a serra de desdobro, ou seja, a ferramenta parece funcionar muito bem!

Comentários

  • Pedro

    29 de Janeiro de 2016, 23h58m

    Maravilha Cosme, gostei muito do resultado final, agora vou aguardar com moderada ansiedade suas postagens acerca da frame saw e pode deixar que o recordarei a respeito das fotos do desdobrou com serrote, curioso fiquei..abração

    cosme

    30 de Janeiro de 2016, 08h32m

    Isso, agradeço por lembrar na ocasião devida.
    Era uma ripa com um pouco mais de 1/2", ou seja, como a Kerfing Plane está com ~1/2" de offset (espaçamento entre a lâmina e o batente), eu acabei obtendo uma lâmina de ~1/8". Foi um ótimo teste para contribuir com as minhas averiguações na Frame Saw.

    Um abraço

  • paulobro

    31 de Janeiro de 2016, 11h23m

    A plaina tudo indica parece funcionar como desejavel. A forma ficou bem adequada, facilitando a ergonomia no exercicio da funcao. Como nao e' incomum em varias (boas) ferramentas, o que parece um adorno trata-se em verdade de um conforto.

    Devo confessar nao senti a menor tentacao de abandonar minha serra de fita, mas ha de se reconhecer e' um processo manual realmente efetivo o proporcionado pelo par de ferramentas de desdobro.

    Congratulacoes. Pelo resultado e, inda mais, pelo esforco envolvido.

    cosme

    31 de Janeiro de 2016, 14h08m

    Obrigado Paulo!

    Sim, parece tudo certo. Nesse tipo de coisa é sempre a mesma estória: prefiro eu esperar um certo tempo de maturação antes de ficar soltando muitos confetes. Mas a tendência e os resultados até o momento são muitos bons.

    Isso, o adorno acaba provendo conforto muitas vezes. É bem o caso nesta ferramenta. Não será lá muito diferente na Frame Saw, até porque a ideia era dedicar somente 2 dias para a modelagem, ou seja, não tenho a intenção de um trabalho primoroso, modelagem suficiente para o conforto e sobrando tempo um tanto para diminuição de peso e estética.

    Eu também não sentiria. Por que mexer em time que está ganhando? No mais a serra de fita é uma ferramenta mais completa, versátil. O que eu poderia pensar é em uma serra de fita com volante pequeno e nenhum desejo do usuário em adquirir outra maior ou fazer uma troca: o par de ferramentas manuais poderia ser um complemento.

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