Plaina com fundo convexo: testes

Superfícies côncavas

4 comentários

26 de Fevereiro de 2016

Isso, a cavilha de Cedro foi realmente um desastre. Ah, a cunha em Jequitibá também não inspirou muita confiança durante os testes iniciais, mas no final das contas não posso condenar a espécie em tal utilização. A questão é que estava ocorrendo dois problemas: a plaina não mantinha a configuração da lâmina, principalmente em usos onde a resistência era muito elevada, ou seja, madeira dura ou fitas muito espessas; ao martelar a cunha a lâmina recuava!? O último problema eu ainda não tinha enfrentado. Fiquei sem muitas respostas conclusivas do porque tal comportamento ocorria. Entretanto havia algumas pistas. A cavilha macia era facilmente deformada. A pressão no sistema é realmente muito considerável. A deformação ia contra qualquer segurança de minha parte em concluir que uma configuração iria se manter. Fiz a toque de caixa, sem qualquer preocupação com acabamento, uma cavilha em Peroba Mica. Mesma espécie utilizada na primeira plaina. Ok. Cavilha substituída percebi rapidamente que o local de contato da cunha com a cavilha, formava um pequeno sulco na cunha. Algo não observado na cunha de Peroba da primeira plaina. Fiz uma nova cunha, considerando uma dica do D. Finck: "se a lâmina está recuando, observe o ângulo da cunha, talvez esteja muito elevado". No final das contas, a Peroba voltou a reinar.

Antes de modelar o fundo, é importante validar o funcionamento da plaina. Na verdade algumas melhorias relacionadas ao problema explanado acima, foram somente realizadas após a modelagem. Certamente possível, mas de fato é um pouco mais difícil: não recomendo. A modelagem foi feita com uma plaina block de metal e um pequeno esquadro. Ah sim, usei uma forma em papel para riscar em lápis uma referência para as curvas da sola. Não me preocupei muito com a "qualidade" da modelagem da sola. O importante ao meu ver era ter um fundo com algum arredondamento e no esquadro com relação a alguma das laterais, no sentido de garantir consistência. No final das contas o nariz ficou muito mais agressivo e com uma curvatura que mais parece uma rampa. Enfim, o importante é que funcionou nos testes realizados até o momento.

A motivação para a construção desta plaina era simples: ter um fundo côncavo em ambos os eixos, longitudinal e transversal. Para testar usei uma superfície de um projeto em construção. Eu já havia começado o trabalho com o que dispunha na ocasião: plaina com fundo plano e lixas. O resultado foi muito bom. Conseguir aumentar a concavidade da superfície como esperado mantendo o acabamento que uma plaina consegue entregar com fitas finas.

Resultado da superfície após o aplainamento para modelar, e, dar acabamento após uma furação de 2 1/2". A superfície fotografada não levou nenhuma folha de lixa e nem raspilha. A ideia inicial é usar uma raspilha como acabamento final, porém antes eu preciso melhorar as minhas habilidades na afiação desta ferramenta.

Antes de pensar em qualquer acabamento no corpo da plaina, refiro-me tanto a terminar/acabar a modelagem como também aplicar óleo de Tungue, irei realizar mais testes. O arredondamento das quinas da plaina realmente entrega outro nível de conforto: essencial, na verdade.

Comentários

  • paulobro

    26 de Fevereiro de 2016, 05h37m

    Nada como ver uma ideia se solidificar em funcao. E obter um belo resultado.
    Nao sei se e' apenas impressao, sem ter tido oportunidade de sentir a ferramenta em uso, mas talvez ela pudesse ser construida algo mais curta e, com isso, mais leve e mais maleavel?

    cosme

    26 de Fevereiro de 2016, 08h47m

    Sim, é bom, muito bom.

    Eu me fiz a mesma pergunta diversas vezes. Entretanto, por segurança, resolvi usar o bloco que dispunha em seu tamanho original. De modo que também sentia uma certa preocupação em ter um corpo curto a ponto de atrapalhar o aplainamento no que tange a vibração. Algo presente na tentativa de usar uma spokeshave para o mesmo serviço. Como já esperado a spokeshave, na ocasião, foi um desastre. Mesmo assim acredito que um corpo tão curto quando a block que construí, não me parece prejudicar o aplainamento, pelo contrário.

    Quanto a leveza, fico com a sensação de que esta #4(?) é muito leve quando comparada com o que tenho mais próximo em metal, uma #5. Realmente a esta altura do campeonato eu diria que sim, a maciez na operação, o peso e a ausência de necessidade de manutenção do corpo em metal, são vantagens marcantes das plainas de madeira.

  • Adenilson Salmo

    26 de Fevereiro de 2016, 15h07m

    Cosme, linda ferramenta, parabens!

    Mas uma outra curiosidade me assola, que peça é esta em construção? uma cuba para lavatorio?? vai ainda paredes ou terá somente esta curvatura alcançada com a plaina?

    cosme

    26 de Fevereiro de 2016, 15h18m

    Nada demais. A terceira cuba de apoio das cinco necessárias. A primeira eu registrei em: http://xilofilos.com/viewtopic.php?f=19&t=2733&hilit=cuba

    A segunda não fiz qualquer registro, mas tive a oportunidade de contemplar um defeito de projeto que ficou evidente na primeira cuba: ausência de caimento para a água. Consegui reparar a primeira fazendo um caimento após o primeiro teste com água: usei um bloquinho com lixa. Um trabalho inglório, por sinal. A segunda fiz o caimento com a minha plaina block de madeira. Como a base é reta, foi um malabarismo que rendeu um custo-benefício baixo. No mais era impossível aplainar a superfície para acabamento após a furação.

    Em suma, aquela progressão evolutiva básica quando se repete um projeto :)

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