Cuba de apoio #4: Parte II

Cuba de apoio para banheiro

6 comentários

27 de Março de 2016

Na postagem anterior eu abordei o dimensionamento e aparelhamento das peças, e, os cortes em meia esquadria nas laterais da cuba. O próximo passo foi a abertura dos canais para o encaixe do fundo. Eu fiz os canais da primeira unidade com um graminho e uma router plane, é um procedimento eficaz porém nada eficiente. Há um breve relato sobre a construção desta cuba no fórum Madeira. No tópico há uma fotografia ilustrando o procedimento. Digamos que é uma forma que permite um acabamento muito bom porém a troco de uma grande dose de tempo na execução. No mais é preciso muita atenção para não danificar a peça.

Com o sucesso da primeira unidade eu conclui que seria uma ótima oportunidade adquirir uma plaina específica para esta tarefa, uma plow plane. Afinal de contas eu tinha mais quatro cubas para construir. Os canais são estabelecidos com eficiência com esta ferramenta. Se necessário, uma router plane pode ser utilizada para o acabamento do fundo. Creio também que uma pequena plaina lateral pode ser mais do que bem-vinda em se tratando de alguns usos para o canal. No meu caso, somente a plow plane já bastava para fazer um serviço de primeira. Nenhuma necessidade de toda a concentração envolvida na forma anterior em que se usa a router plane: procedimento puramente mecânico.

Depois da construção da segunda cuba, conclui que o processo é simplificado se o caimento e a furação de recebimento da válvula forem realizados após a cuba estiver apta a ser montada. Explico. A face superior do funda da cuba necessita de um caimento nos dois eixos, ou seja, qualquer água que caia na linha transversal ou horizontal deve ser direcionada para o centro para ser capturada pela válvula de escoamento. O fato da superfície deixar de ser plana, é um complicador na construção porque se perde uma superfície de trabalho, afinal de contas um esquadro não pode ser obtido a partir do fundo, prender a peça na morsa pode ser mais difícil e por ai vai.

Deste modo, após os canais o próximo passo é fazer o macho do fundo que deve encaixar nas laterais da cuba. O mais simples é fazer uma única rabeta, o que por sinal fiz na primeira unidade construída, porém, neste caso eu não tinha nenhuma folga na altura da cuba que eu havia estabelecido. Se eu fizesse uma rabeta inferior, o fundo seria elevado em 1/4". Se a rabeta fosse superior, eu teria que ter uma linha superior do canal perfeita, algo que não me preocupei, até porque não disponho de uma plaina para ajustes na lateral do canal. A rabeta inferior esconde esta linha, hehe. Bom, considerando-se o cenário em questão a solução foi um macho produzido por duas rabetas, uma inferior e outra superior. De certo é mais trabalhoso e complexo para se obter uma boa junção, mas... Acho que na quinta e última unidade eu vou pensar com carinho e fazer somente uma rabeta superior e avaliar o que posso garantir na qualidade da linha superior do canal.

Usei a plow plane para fazer as rabetas, porém não é uma ferramenta lá muito eficiente para tal tarefa pois com poucas passadas a plaina acaba se deslocando da posição original em sentido a borda da rabeta. Creio que uma lâmina que acompanha um cortador é o ideal, aliás, parece-me que uma boa plaina para rabetas tem justamente esta funcionalidade. O problema é pior quando se faz a rabeta transversal ao veio, bem pior... Três passadas e há um acúmulo de pequenos pedaços de madeira que impedem a plaina. Solução? De tempos em tempos corta-se o restos com um graminho. É possível ver isso nas duas fotografias acima.

Com os machos feitos, a cuba é montada e os ajustes necessários são realizados para que tudo esteja devidamente no esquadro e com junções sem lacunas. Afinal de contas, neste projeto, a junção é tudo o que tenho a recorrer para evitar qualquer vazamento, de modo que qualquer tempo gasto aqui se torna um investimento. Em tempo, os grampos em fita são ótimos recursos para junções em meia esquadria que não possuem encaixes mecânicos.

Por último, o caimento do fundo e a furação para instalação da válvula de escoamento. A primeira cuba foi feita sem caimento. Somente um teste com água para me convencer de que o caimento é essencial. Com um bloco de lixa fiz um caimento a duras penas após a cuba colada. Ok, pensei eu: "Ah, com o fundo descolado eu consigo fazer rápido, farei assim na segunda unidade!". Ledo engano... Foi literalmente um sofrimento, em parte porque não gosto de lixas. No mais o resultado não ficou tão simétrico, digamos assim, como eu gostaria. Ah, e aquela passada final da plaina para dar acabamento nas bordas da furação da válvula? Esquece... Com o fundo todo curvo é praticamente impossível para qualquer plaina pequena.

A solução foi investir na construção de uma plaina de madeira com fundo convexo. Uma maravilha. Funciona muito bem. Eficaz e eficiente, de quebra entrega uma superfície já acabada e é possível fazer uma passada final para limpar o fundo de sujeiras e marcas da montagem em seco, e, para dar um acabamento na borda da furação da válvula.

O furo de rebaixo da válvula e o único exposto, foi feito com uma broca Forstner de 2 1/2". No limite do arco mas foi possível fixar a haste com estabilidade satisfatória. Os próximos furos foram feitos com serra copo por não dispor de brocas do tipo Forstner para os diâmetros necessários. Os dois furos seguintes servem para acomodar o anel de vedação da válvula e o último é passante no diâmetro externo da rosca da válvula. A serra copo utilizada não é nada precisa, é possível ver a olho nu o copo saindo do centro, mas cumpre o papel. Os rebaixos foram feitos com um formão.

Acima a instalação do anel de vedação e a válvula em estado fechado e aberto. É possível notar na última fotografia a rebarba deixada pela broca na furação aparente.

Registro do furo finalizado. Passadas de acabamento com a plaina convexa para remover rebarbas da furação, e, um pouco de lixa nos rebaixos. É possível obter um acabamento nos rebaixos com as lixas tão quanto desejável o investimento de tempo, no meu caso não me importei muito com isso, fiz algo e segui em frente.

Diversos ensaios para a colagem e... Finalmente cola! Na segunda fotografia uma tomada da limpeza e acabamento das faces das laterais. Nesta cuba resolvi experimentar o uso de uma plaina de metal com ângulo de ataque elevado (60 graus) ao invés da minha plaina de madeira pequena. Hum, considerando-se que construi a minha plaina com cama de 45 graus, de fato reconheço ser bem interessante dispor de uma versão com angulação mais agressiva, agora, o acabamento do fundo de madeira é bem melhor, no mais senti falta do peso baixo da plaina de madeira. Enfim, sinceramente achei mais interessante uma plaina de madeira para este estágio, mas cada um com o seu cada qual. Somente impressões... Na última fotografia o nivelamento e acabamento das arestas superiores. Serviço executado de forma eficiente e eficaz com uma plaina de bancada.

Na esquerda a terceira cuba e na direita a cuba atual e objeto desta postagem. Acabamento somente em óleo de Tungue, que até agora tem se demonstrado eficaz para tal uso.

Aproximação das junções das laterais. Na última fotografia percebe-se ao menos dois pontos brancos que se soltaram do pano de aplicação do Tungue, hehe.

Que venham as bancas para os banheiros!

Comentários

  • paulobro

    27 de Mar?o de 2016, 10h27m

    Aproveitando, como sempre, a melhor caracteristica das ferramentas manuais: a precisao. E alcancando a tao ardua quanto aparentemente facil meta de traduzir simplicidade em beleza.

    Eu sugeriria, para evitar surpresas, uma das cubas fosse deixada, com os apoios laterais que va vir a ter no seu local definitivo, uns 5 a 10 dias quase cheia de agua. Simulando as piores condicoes de uso real por um periodo talvez equivalente a meses de uso... Ou, claro, nao.

    paulobro

    27 de Mar?o de 2016, 10h28m

    Ah, em tempo: parabens pelo belo brinquedo novo. Desejo-te muitos bons proveitos.

    cosme

    27 de Mar?o de 2016, 12h06m

    Obrigado Paulo, eu vou refletir sobre o teste. A princípio, sim, parece-me bem extremo porém um tanto fora do uso proposto. Creio que a cuba poderia ficar com a válvula fechada no máximo por algumas horas.

    Uma coisa que me preocupa mais é a limpeza necessária não remover o "filme" de óleo.
    Em seguida o molha e seca, o que isso causa como efeito seja no acabamento ou na estrutura.

    Mas sim, não deixa de ser um teste. Enfim, é uma boa ideia providenciar mais algum teste, afinal de contas... Não custa muito testar.

  • Adenilson Salmo

    29 de Mar?o de 2016, 08h12m

    Lindo trabalho Cosme, como sempre! E lindas ferramentas, sejam elas compradas ou hand made... rs.

    Quanto ao uso das cubas realmente me preocupa com o uso diário se o acabamento em oleo vai resistir, uso de sabonetes, cremes dentais etc.

    Se possivel com uns 3 meses de uso poderia nos informar sobre este resultado.

    No demais, parabens!

    cosme

    29 de Mar?o de 2016, 08h48m

    Pois é, estou curioso para saber sobre a resistência do óleo Tungue perante o uso e limpeza regular.
    Sim, claro, mas vai demorar meses até as as cubas serem instaladas: é para uma obra em andamento.
    Um abraço

  • Gabriel

    29 de Junho de 2017, 16h50m

    Olá Ricardo.

    Você faz cuba de apoio de madeira igual deste post sob encomenda? Envia para são paulo?

    Se sim, por favor enviar email para caprigabriel@gmail.com.

    Obrigado.

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