Mesa de jantar: projeto

Uma mesa para seis pessoas e ponto.

7 comentários

24 de Dezembro de 2015

Pensei em publicar uma única postagem após a conclusão do móvel, porém creio que eu seria forçado a eliminar muito conteúdo para evitar um texto enorme. Um bom pretexto para uma série de postagens sobre a construção da minha mesa de jantar. Como a idéia era construir uma mesa bem simples, por um lapso eu cheguei a bater martelo em não desenhar nada. Afinal de contas são quatro pernas unidas por uma saia e um tampo depositado sobre a base. As pernas devem ficar no canto, a altura deve ser padrão, a mesa deve medir aproximadamente 210 x 100 cm, as junções em espiga e fura, o tampo depositado sobre o conjunto da base e pronto, o que quero mais? Ok. Vamos então pensar nas dimensões. A perna vai ter 3 x 2 1/4" e a saia 3 1/4 x 1 1/2". Legal. Mas por obséquio qual será a dimensão da espiga? Ihh... Os problemas começaram justamente nesse questionamento referente as espigas... A solução somente apareceu quando tive que aceitar a hipótese de sentar a bunda na cadeira e fazer um, digamos, projeto. Obviamente que a coisa não parou nas espigas, depois disso: "Ué, mas eu não tenho tubos de 200cm para acoplar o grampo tubular (pipe clamp), ihh...", "Hm, pois é, agora que me toquei que a testa do tampo vai ficar à vista, ok, a mesa é simples mas já percebi que cismei em não ter a testa dando o ar da graça, certo mais um problema", "Ahm, mas peraí, o tampo é muito largo e provavelmente a madeira vai trabalhar... Neste sentido como vou fixar o tampo sem correr o risco de rachaduras no futuro? Certo, mais um problema..." e assim o tempo de cadeira se alongou por alguns bons dias em companhia de algumas dezenas de cafezinhos.

Vamos por partes. A dimensão da espiga e respectiva localização eu resolvi após alguns desenhos com base em um artigo escrito pelo Garret Hack. Optei pelo encontro das espigas formando um ângulo de 90 graus. O acoplamento do tampo à base ainda não está decidido, porém após a leitura de um outro artigo do G. Hack, creio que esse problema não apresenta mais ameaças. Acredito que escolherei a técnica button fasteners, infelizmente não tenho a menor idéia do termo em Português, mas basicamente é um canal na parte superior da saia que recebe pequenos blocos machos que são aparafusados na parte de baixo do tampo, permitindo-o que o mesmo se movimente na lateral e na longitudinal pois o macho inserido no canal fica solto.

Algumas imagens do projeto para tentar ilustrar as junções:

Ao invés de usar grampos para colar a base eu pretendo experimentar a técnica de deslocar em ~1/16" o centro do furo realizado na espiga para receber uma cavilha, o deslocamento no caso é com relação ao furo feito na perna. Normalmente fazemos um furo com o mesmo alinhamento, ou seja, com as peças já unidas simplesmente fazemos o furo e colocamos a cavilha. Neste caso não, os furos são ligeiramente deslocados entre si. Eu conheço essa técnica como drawbore offset. O Paulo Bro inclusive tem uma postagem (em Português!) sobre a aplicação da técnica, vale à pena conferir para se ter uma idéia do que estou falando: Evitando encanoamentos (breadboard & drawbore offset). Quando a cavilha é colocada, o deslocamento força a junção mecanicamente no sentido de unir as duas peças, é uma forma de se unir devidamente duas peças a serem coladas sem a necessidade de grampos.

Com relação a ocultação da testa do tampo a minha solução foi o uso de um painel com junções em meia esquadria. Um ponto que não está no projeto é um pequeno espaçamento, na ordem de 1/8" entre o painel e o tampo em si. Uma forma que pensei de proteger o painel de rachaduras devido a movimentos de expansão e contração do tampo. No mais creio que vou gostar do resultado estético que promete realçar o tampo em relação ao painel.

Eu sei que todos os pontos técnicos abordados acima podem ser de difícil compreensão sem detalhes ilustrativos adequados, mas neste momento a idéia é somente abrir a série de postagens e apresentar o projeto, acho que teremos tempo suficiente para ver cada uma das soluções em mais detalhes :)

Comentários

  • paulobro

    24 de Dezembro de 2015, 08h03m

    Mmm...
    Interessante. Certamente estarei acompanhando.

  • Branco

    24 de Dezembro de 2015, 09h43m

    Não consigo responder por lá, só por e-mail. Escreva.

    cosme

    24 de Dezembro de 2015, 15h28m

    Feito por email. Abraço!

  • paulobro

    24 de Dezembro de 2015, 10h09m

    Eu havia feito alguns comentarios em privado sobre este topico, e o Cosme sugeriu eu os tornasse 'publicos'. Acato a sugestao:

    - Fixar o tampo `a saia com 'botoes' funciona bem para acomodar os movimentos do tampo. Eu ja usei, inclusive na minha 'mesa de tres madeiras' — em http://marceneiro-emcasa.blogspot.com.br/2012/03/finalmentes.html. E ate hoje nenhum problema.

    - Drawbore offset para montar as saias e' tecnica consagrada, literalmente ha seculos. Sem grampos e ate sem cola. Demanda os encaixes sejam feitos com precisao — mas essa e' bem a tua praia, hehe.


    - 'Aprisionar' o tampo em uma moldura pode ser problematico. Bem problematico, ate. Obviamente, em pindorama nao dispomos de tabelas com os coeficientes de dilatacao higrica das nossas madeiras, mas a partir de coeficientes conhecidos fica evidente um tampo de 1 metro de largura pode mover-se ate 10mm entre contracao e expansao. Parece-me muita folga para uma fresta aparente, visualmente talvez ate pior do que deixar os veios de topo `a mostra.

    Alem da solucao facil — aplicar algo so nas testas, como breadboards, entalhes, encrustacoes, etc. — ha coisas tipo montagem em painel flutuante. Nem sei se teria aplicacao, mas uma variante interessante desta tecnica eu utilizei em uma das minhas mesas da cozinha (http://marceneiro-emcasa.blogspot.com.br/2015/02/mesinha-nova-para-cozinha-base.html), inspirado pelo butcher block do Norm Abram (https://www.youtube.com/watch?v=uPICo-9n5pQ).

    Hehehe...
    Nada melhor que encher de pulgas a camisola alheia.

    cosme

    25 de Dezembro de 2015, 23h47m

    Bacana Paulo, esse comentário enriquece bastante a postagem. Obrigado por torná-lo público.

    1) Botões, isso. O uso que pensei é justamente o apresentado na postagem da sua mesa. Bom saber que funcionou;
    2) Creio que não deixarei de usar a cola com receio de que a mesa possa perder alguma estabilidade caso ocorra alguma pancada forte na base, algo que sinceramente não acho lá muito raro de acontecer com o passar do tempo. Afinal de contas um chute na base da perna tem um momento de força bem considerável lá junção com a saia. De todo o modo vejo como uma segurança extra mesmo;
    3) Hum.... Eu não conhecia essa técnica. Confesso que não assisti o vídeo por completo e procurei pular para parte que me interessava. Não captei em nenhum momento o nome da técnica em inglês. Por acaso você sabe? Consegui entender o funcionamento, bem interessante. Eu vou pensar como um alternativa. As longitudinais da moldura já estavam prontas quando publiquei a postagem e realmente me apeguei bastante a idéia. Vamos ver. Com relação a técnica do painel flutuante, fazer na plaina a angulação na longitudinal pode não ser lá tão simples. Dois metros é muita coisa, tentaria algum jig improvisado no tampo da bancada. Não sei.

    Obrigado pelas considerações mais do que devidas.

    Abraço

    paulobro

    26 de Dezembro de 2015, 13h35m

    Uma outra possibilidade que me ocorreu para utilizar uma moldura, mas permitindo dilatacao sem frestas (muito) aparentes seria fazer as juncoes da moldura, ao inves de em meia esquadria, em encaixe nupcial (bridal joint), nao colado mas estabilizado com cavilhas. A imagem desse link talvez facilite entender a coisa:

    https://c2.staticflickr.com/2/1609/23958447206_74fd5bf8ea_o.jpg

    Como nao adorar pulgas, hehehe?

    cosme

    26 de Dezembro de 2015, 22h31m

    Interessante, ainda não havia visto algo parecido.
    Estou pensando em adquirir estes trecos aqui para construção com painéis flutuantes:
    http://www.leevalley.com/US/Wood/page.aspx?cat=3,44296&p=58675

    Achei bem interessante. Acredito que isso pode simplificar o trabalho de centralização e não precisarei do "ponto de cola" no topo e na base. Com base no teus 10mm, pensei também em arriscar em 6mm. No caso penso em 1/8 para cada lado. Algo para se pensar...
    Enquanto isso vou dando continuidade no desempeno das peças.

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